Acordo Mercosul-UE entra em vigor em até 3 anos, afirma Bolsonaro

Alan Santos/PR - 30.06.2019

Início do pacto comercial depende da aprovação dos parlamentos dos países que fazem parte de ambos os blocos. Tarifas devem cair dentro de 10 anos

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (30) que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve entrar em vigor em até 3 anos, porque é preciso do aval dos parlamentos dos países desenvolvidos, e disse esperar que o Congresso Nacional seja um dos primeiros a aprovar a iniciativa.

"[O acordo] entra em vigor em 1 ou 3 anos, depende dos parlamentos. Vamos ver se o nosso aqui, talvez sejamos um dos primeiros a aprovar, espero e a luta continua", disse, em entrevista após chegar em da viagem para a cúpula do G20 a Osaka, no Japão.

Bolsonaro chamou de "missão cumprida" a viagem ao país asiático e mencionou o fato de que, durante o encontro no Japão, se concretizou o acordo de livre comércio entre os dois blocos econômicos.

O processo de aprovação e ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve demorar cerca de dois a cinco anos, avaliam especialistas. Formalmente, o processo poderia ocorrer em dois anos, mas como se exige a aprovação do acordo em cada um dos parlamentos a previsão é que a discussão se estenda por mais tempo.

Após as aprovações e ratificações, a redução de tarifas entre os blocos entra em vigor, mas de forma gradativa, ao longo de dez anos. Um dos primeiros entraves para a sua aprovação definitiva ocorrerá no Parlamento Europeu, onde os "verdes" ganharam poder de influência e podem dificultar a aprovação do texto em represália à política ambiental do governo brasileiro.

Depois de ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos quatro membros do bloco sul-americano, o acordo ainda terá de passar pelo crivo dos 27 países do bloco europeu (já considerando a saída do Reino Unido, pelo Brexit).

A expectativa do Brasil e da Argentina é que o processo dure até dois anos. Integrantes do governo do ex-presidente Michel Temer, por outro lado, estimavam que o processo poderia levar até cinco anos.

Sucesso da viagem

O presidente disse que o "sucesso da viagem" se deve ao fato de que os ministros — ao citar Tereza Cristina (Agricultura), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e a equipe econômica liderada por Paulo Guedes — terem sido escolhidos por critérios técnicos. Tereza e Araújo estiveram em Bruxelas para acertar o acordo de livre comércio.

"Se fosse um ministro indicado por um partido, secretário indicado por outros partidos, não iria chegar a lugar nenhum", disse ele.

Manifestações

Neste domingo, ocorrem manifestações país afora em defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, da operação Lava Jato e da reforma da Previdência. Perguntado sobre as manifestações de rua neste domingo, o presidente disse que é um direito do povo se manifestar.

"Costumo sempre dizer: a união dos Três Poderes precisa fazer parte também, tem que estar no coração, nos sentimentos nossos, uma coisa que pode levar o Brasil a um lugar de destaque, ele merece, nós temos tudo aqui, biodiversidade, riquezas minerais, áreas agricultáveis, área para o turismo", disse.

Militar com cocaína

O presidente falou novamente sobre o militar que foi preso na Espanha ao desembarcar de um avião da Força Área Brasileira portando drogas.

"Tem que ser investigado, ele jogou fora a vida dele, jogou na lama o nome de instituições e prejudicou o Brasil também um pouco", disse.

"Mas isso acontece em qualquer lugar do mundo, em qualquer instituição. Eu lamento todo o ocorrido, meu grande lamento e que não foi na Indonésia", concluiu ele, ao repetir o que já havia dito - aquele país asiático prevê pena de morte para traficantes de drogas.

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