Vale perde 20% de sua produção mundial com suspensões em Minas


Empresa calcula em 82,8 milhões de toneladas ao ano impacto causado por suspensão em 11 minas no Estado, preventivamente ou por decisão judicial 

Com 11 minas sem operar, seja por decisão judicial ou de forma preventiva, a Vale calcula uma perda de produção de 82,8 milhões de toneladas de minério de ferro no ano.

No fim do ano passado, a mineradora divulgou um informe com previsão de produção de 400 milhões de toneladas da commoditie em 2019. Caso a situação prossiga durante todo o ano, a interrupção da operação dessas minas no Estado representa pouco mais de 20% dda produção mundial da empresa.

     Equipes de busca no Córrego do Feijão. — Foto: Fabiana Almeida/TV Globo

Para se ter uma ideia da proporção desse impacto, é como se Minas Gerais deixasse de exportar quase metade de todo o volume de minério de ferro vendido pelo estado ao exterior. De acordo com dados do Ministério da Economia, em 2017, foram exportadas 175 milhões de toneladas do produto, o equivalente a US$ 8 bilhões (R$ 30,3 milhões em valores atuais). 

Questionada pela reportagem, a Vale não comentou se e em quanto a perspectiva de produção para este ano foi alterada após o rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro. A tragédia foi responsável por mais de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

A empresa apresentou um plano de descomissionamento de suas barragens construídas pelo método e alteamento a montante, o que resultou na paralisação, no dia 4 de fevereiro, da produção das minas Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, todas elas parte do complexo de Vargem Grande, localizada em Nova Lima. 

As operações nas minas de Jagada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, parte do complexo Paraopeba, onde também está localizada a Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, também foram interrompidas. A empresa também suspendeu a operação nas plantas de pelotização de Fábrica e Vargem Grande.

No mesmo dia, a Justiça determinou que a Vale se abstivesse de lançar rejeitos ou praticar atividades que pudesse aumentar o risco de rompimento em algumas barragens, como a de Laranjeiras, que atende à mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a 88 km de Belo Horizonte. Somente Brucutu é responsável por uma produção na casa das 30 milhões de toneladas por ano. A Vale recorreu da decisão judicial. Segundo a mineradora, a barragem Laranjeiras não é do tipo "a montante" e não faz parte do plano de descomissionamento anunciado em 29 de janeiro, quatro dias após a tragédia de Brumadinho. 

Em 20 de fevereiro, por determinação da Agência Nacional de Mineração, a Vale encerrou, de forma preventiva, as atividades nso complexos de Fábrica e Vargem Grande. 

E, na decisão mais recente, a Justiça de Minas Gerais determinou que a empresa se abstenha de praticar qualquer atividade na barragem do Doutor, bem como operar as demais estruturas da mina de Timbopeba, em Ouro Preto, a 97 km de Belo Horizonte. A estrutura é responsável pela produção de 12,8 milhões de toneladas por ano.